Amamentação sem romantismo, mas com muito amor01/02/2017

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Eu li muito sobre amamentação. Do começo ao fim da gravidez da minha filha Maria e leio até hoje quase 1 ano depois, quando estou me preparando para o desmame que tem que ocorrer até maio próximo em função de uma viagem que irei fazer com o marido, tipo lua de mel, sem bebê, mas isso seria assunto para um outro post, se a Claúdia der espaço rsrs.

Eu li tudo, Instagrans de pediatras, obstetras, mães blogueiras, mães normais, mães famosas (Débora Secco – eu e ela fomos grávidas no mesmo período!), perfis de doulas e também algumas publicações estilo Dráuzio Varella, porque informação nunca é demais né.

Ocorre que minha filha nasceu e ainda na sala de pós-parto meu esposo veio colocá-la ao seio. Sim! Quem deixa acontecer uma coisa dessas Jesus? Ele não tinha lido os mesmos instagrans e nem tinha a menor noção da pega-correta!

Aiiiii, essa pega-correta – dói só de pensar, me rendeu literalmente noites em claro. A menina começou a mamar de um jeito todo errado, porque sim, eles não nascem sabendo conforme a gente vê os outros mamíferos na natureza. Dor e mais dor, sangue, sangue e mais um pouco de dor.

Mas que nada, eu tinha comprado todo o arsenal que pesquisei nas minhas horas incansáveis de leitura: conchas, com a parte-de-dentro-de-silicone, bicos de silicone porque a vendedora usou e foi ótimo! Também comprei aquela pomadinha famosa que parece de cera de abelha, e fiz todo o preparo que o obstetra pediu durante a gestação com a tal bucha vegetal que na minha infância tinha na horta da vó, mas que custou uns 10 reais na farmácia um pedaço de 5cm (a indústria está ganhando dinheiro até nas esponjas vegetais, quem dirá nos outros itens da amamentação né), não posso esquecer de falar que comprei aquela bombinha que parece a buzina da bicicleta e depois a mais moderna, aquela importada com a marca de televisor que começa com Phil e termina em ips, comprei aqueles protetores absorventes e as meninas da Começo de Vida me fizeram aquela almofada maravilhosa, num tecido fino ( de chique e não de espessura) com um brasão dourado com M de Maria, que dava até pena de deixar pingar uma gota de leite.

Eu fui à luta, porque afinal de contas aquilo era meu sonho, amamentar minha filha tão planejada, mas para conseguir a produzir as quantias que minha intuição sugeria de leite foi outra história: Funcho, muito chá de funcho, dica de mãe, de sogra, de avó…. Cerveja-preta! Sim palavra composta para ela, porque ela é antagônica, tem álcool mas dá leite, suco de uva integral da garrafa de vidro verde, e tudo o que for liquido em grandes quantidades.

Líquidos liberados, “mas cuidado com o que você vai comer Jordana”, não pode chocolate, não pode feijão, não pode metade das frutas e legumes e diversos carboidratos, não sei porque, mas não pode, eu deixei de comer tudo, passei a achar que deveria partir para a alface e água, e ainda assim a tal cólica persistiu…ficou lá até o finzinho do segundo tempo. Foram 3 MESES em ponto. Não foi a amamentação que deu cólica, eu devia ter lido mais… li pouco, vejam só… que azar eu tive.

E de repente, de um jeito que eu nem me dei conta como, tudo passou a ser tão automático, não sei precisar o momento neste um ano de amamentação em que tudo se tornou simples.

Tão natural. Sem dor, sem estresse, sem pressa. Lá no início eu quase tinha perdido as esperanças e o assédio para tentar dar aquela fórmula famosa quase me seduziu, mas algo de intuição soou tão forte, que eu me neguei – e minha filha se negou, ela não quis aceitar outra forma de ser alimentada, ela quis a mamãe, o leite da mamãe, da mesma forma que eu sonhava em amamentar, ela sonhou em ser amamentada.

E por si só, quando eu paro para pensar nisso, vi o quão a natureza se fez perfeita. O quão grande é o vínculo mãe e filho. Hoje eu posso dizer com todas as letras: EU AMAMENTEI! Eu realizei meu sonho! Essa alegria não tem preço, mas tem um valor totalmente diferente para mim enquanto mãe e mulher!

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Jordana Acordi de Franceschi
Psicóloga e Mãe da Maria